Por Julia Paes

Bom, às vezes, tudo o que se espera de um filme é entreter sua audiência sem grande profundidade. Em “Ingresso para o Paraíso”, isso é alcançado sem muita dificuldade. Ol Parker, mesmo diretor de Mamma Mia! Here We Go Again, leva sua nova história para mais um lugar paradisíaco, dessa vez convida o público para Bali. Numa viagem com paisagens deslumbrantes, vemos uma recém formada tomando as rédeas de sua vida, o que é a chave para aproximação de seus pais separados.

Mesmo depois de duas décadas divorciados, Georgia, vivida por Julia Roberts, e David, George Clooney, ainda contam por aí a história de como eles eram apaixonados e como, de repente, tudo desmoronou sem uma explicação plausível; é assim que o casal protagonista é apresentado. Em suas falas, percebe-se que não há apenas resquício de mágoas antigas, como também a existência de algo a mais em seus corações. Os dois não suportam estar na presença um do outro sem competir, e nessa competição, quem ganha é o filme.

George Clooney e Julia Roberts em “Ingresso para o Paraíso” ©  Universal Pictures

A história, de fato, se inicia quando os dois vão a Bali a convite de sua filha, na tentativa de intervir nas decisões dela. A turbulência começa quando os dois são obrigados a viajar próximos um do outro, e as trocas de farpas ficam mais engraçadas pela impossibilidade de saírem daquela situação. Com o tempo de comédia na medida certa, intrínseca nas expressões faciais, as cenas que Roberts e Clooney compartilham se tornam as mais divertidas de acompanhar. 

A química entre Georgia e David é tamanha, que por vezes esquecemos, ou apenas não nos interessamos o suficiente, para acompanharmos os personagens secundários. Um dos exemplos é o potencial cômico que Billie Lourd possui em cena, mas que no filme foi subaproveitado pelo roteiro e pelos poucos minutos de cena. Efeito da criação de personagens unidimensionais por parte que quem escreveu.

Still de “Ingresso para o Paraíso” ©  Universal Pictures

Um filme sem grandes pretensões, redondo em sua proposta: estrelar uma comédia romântica com Roberts e Clooney. Apesar de trazer assuntos interessantes sobre controle familiar e vida adulta, não pretende tratar isso tão a fundo. No final nos distraímos com a beleza de Bali e com a dinâmica dos protagonista, que nem nos importamos com a superficialidade dos temas

“Ingresso para o Paraíso” possui a mesma essência das comédias românticas que fizeram sucesso na virada do milênio, na clássica jornada de inimigos para amantes, se encontram “presos” num país paradisíaco. Julia Roberts possui o mesmo brilho de suas primeiras comédias românticas, na qual se tornou um ícone do gênero. Apenas George Clooney seria capaz de dividir a cena com Roberts e conseguir chamar a atenção do público. Ambos esbanjam carisma desde o primeiro momento em tela. 

Nota: 6,0

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