Por Julia Paes

“Não se preocupe, querida”, banhada por burburinhos, é estrelada por Florence Pugh e Harry Styles, e outros grandes nomes aparecem no elenco, como: Chris Pine, Gemma Chan e Nick Kroll.  A diretora, que também atua em seu novo filme, Olivia Wilde, se junta novamente a Katie Silberman, para tentar alcançar o sucesso de Booksmart, dessa vez explorando o suspense.

Era uma vez, num subúrbio americano, construído no meio do deserto, um casal perfeito em meio a diversos outros casais perfeitos. No auge dos anos de 1950, todas as mulheres preparam o café da manhã para seus maridos, enquanto eles se preparam para trabalharem, todos na mesma empresa. Uma harmonia sem igual reina ali, até que uma das moradoras começa a apresentar comportamentos fora do que se é acostumado na comunidade experimental, cuja atmosfera parece com uma cidade fictícia. Alice Chambers começa a notar situações que fogem da perfeição de sua rotina e percebe que tem algo de errado acontecendo.

Still de “Não se preocupe, querida” © Warner Bros

A direção de Wilde consegue encantar com seus lindos visuais do deserto, e pontualmente com algumas cenas simulando alucinações. No ponto alto do filme, a protagonista, interpretada por Pugh, tem um embate com o personagem do Chris Pine, a tensão criada a partir do jogo de câmera e enquadramentos bem pensados, faz com que se consiga manter o tom desejado durante sua duração. Entretanto, ao procurar retratar os lapsos de memória de Alice, através dos cortes secos de uma cena para outra, se torna um recurso preguiçoso depois de algum tempo. 

A equipe técnica, em especial a direção de arte, fotografia e a produção sonora, merecem todo o reconhecimento. As cores dos vestidos, os penteados, os carros brilhantes, a trilha sonora, são dignas de uma atenção maior de quem assiste. Todos os detalhes da produção são o que o público mais levará consigo assim que os créditos começarem a rodar.

Outro fator que leva a obra a não ser um completo fiasco é a atuação incrível de alguns integrantes do elenco. Florence Pugh já provou anteriormente o seu potencial em tela, mas em “Não se preocupe, querida”, o filme é entregue a ela, e fica explícito quando ela divide cena com seu par romântico, interpretado por Harry Styles. Ele não possui o poder em cena que sua parceira e fica nítido ao público a falta de experiência do novato Harry Styles, que não é salvo pelo seu charme em cena. O único que consegue alcançar o talento de Pugh em cena é o Chris Pine. Nas cenas em que Florence divide com Chris, apesar de poucas, são as mais interessantes de serem acompanhadas.

Still de “Não se preocupe, querida” © Warner Bros

A parte técnica não consegue, entretanto, distrair por muito tempo o roteiro simples de Katie Silberman. A história, que busca reviravoltas surpreendentes, deixa pistas nos primeiros minutos sobre o que o enredo pretende e o final impactante que se planeja, desaba em frente aos nossos olhos. Durante a maior parte do desenvolvimento, fica uma sensação de que nada acontece além de repetições de cenas e diálogos desnecessários. O que surpreende é a falta de conteúdo para um tema que a dupla sabiamente conseguiu desenvolver em seu primeiro trabalho juntas.

Era para ser narrada uma história em que fica clara a denúncia sobre o machismo que as mulheres sofrem em seus relacionamentos, aqui heteronormativos. O vívido medo de descobrir que seu parceiro pode ser o seu maior risco de vida, realidade pela maior parte das mulheres, se monta em um terreno de muita superficialidade e com desenvolvimento razo. Durante todo o longa-metragem pincelam sobre essa temática e quando, de fato, o público pensa que se desenvolverá o problema, o filme acaba. O mais estranho é observar o que Wilde e Silberman alcaçaram com maestria em Booksmart e aqui desperdiçaram. Ao terminar o filme, somos tomados pela sensação de que a dupla não conseguiu passar a mensagem desejada.

Nota: 5,5

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