O fim de um legado chega às telas de cinema neste mês de Halloween. A história de um dos mais conhecidos assassinos do cinema encontra seu desfecho mais de 40 anos depois de suas primeiras vítimas. No final da trilogia de David Gordon Green, as sombras do passado ressurgem em seu último encontro colocando frente a frente Laurie e Michael Myers. Depois de um um assassinato em Haddonfield, uma onda de violência alastra pela cidade e Laurie se vê obrigada a enfrentar seu bicho papão. Jamie Lee Curtis retorna mais uma vez para finalizar a jornada da querida protagonista de uma vez por todas. 

Numa clara homenagem ao seu antecessor, o desencadeador dos eventos Halloween (1978), Halloween Ends desde seu início, mostra elementos clássicos da origem de sua mitologia, em que ajudam a trazer de volta a essência do terror. Seja pelos enquadramentos, seja pelos movimentos em que o assassino ataca suas vítimas ou até pela vestimenta clássica que ressurge em um personagem. Vale ressaltar que um dos elementos que ajuda a elevar a atmosfera e atualiza a mitologia aos dias atuais são as cenas mais explícitas, clássico do terror gore, mostra cenas capazes de fazer o público se fechar os olhos de agonia. 

Still de “Halloween Ends”. ©Universal Studios

Um início um pouco fora de prumo, indo para um caminho inusitado, apresenta o ponto que liga os destinos de Laurie e Michael Myers pela última vez. Em certos momentos, se questiona em como será feita a conclusão dessa história que dura décadas e se terá um desfecho que faça jus ao importante legado construído desde os anos de 1970. Se pensou que a conclusão seria toda voltada para os antagonistas clássicos, está bem enganado, em meio aos dois emerge a figura de um desconhecido.

Ao embarcarmos em mais uma viagem para Haddonfield, conhecemos então Corey Cunningham, que trabalha como babá. Na noite de Halloween – anos depois dos eventos do último filme -, sob seus cuidados, a criança na qual cuida morre em uma fatalidade. Passa-se um tempo, e a cidade transformou Corey num pária, o jovem sofre violências diárias, seja por piadas, burburinhos ou até mesmo violência física. Aquelas agressões impactam Corey, vindo à tona seu lado mais sombrio, e diante de nossos olhos, o jovem se transforma e surge um novo vilão para a trilogia.

Still de “Halloween Ends”. ©Universal Studios

Nesse meio tempo, buscando lidar com as perdas causadas por Myers, Laurie escreve seus pensamentos em seu computador, a cada linha que escreve, traça um paralelo entre sua história e a de Corey. “Estou no controle ou os elementos me controlam?”, Laurie questiona a si mesma em um momento, nessa hora a história deles se ligam e se divergem no mesmo instante. Ambos são vítimas da comunidade, entretanto processam e lidam com aquela violência de maneiras distintas. Corey se consome na frustração constante em que vive, e a cada morte, o jovem dócil dá espaço para um assassino sem escrúpulos. 

A fotografia conversa muito bem com a temática trazida pelo filme. As sombras, e o que cada um carrega consigo depois de acontecimentos marcantes, são o ponto chave para cenas bem elaboradas e bonitas, carregadas de contra luz e sombras nas paredes é um dos aspectos que mais chamam a atenção. Outro quesito que é executado com majestria é a montagem, nos cortes ou transições feitas com precisão trazem um charme estético a mais para a obra.

Jamie Lee Curtis encerra sua participação como Laurie com chave de ouro, sua atuação apresenta nuances importantes para o desenvolvimento da personagem, oras pelo humor, oras pelo drama. Ao final do filme, há uma sensação de dever cumprido e satisfação, apesar de algumas derrapadas, David Gordon Green consegue concluir a saga de mais de 40 anos dando um ponto final satisfatório. Entre alguns poréns em relação ao desenvolvimento da história, a homanagem ao primogênito da saga é muito bem produzida.

Nota: 6,5

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