O diretor e roteirista Damien Chazelle mais uma vez mostra a sua paixão, não só pelo cinema, mas também pelos seus bastidores. Dessa vez com “Babilônia”, estrelado por Margot Robbie ao lado de Diego Calva, Brad Pitt e mais diversos nomes conhecidos de Hollywood, em um épico, que mistura comédia, drama e ficção. A história se passa em um mundo fictício, porém não tão fictício assim, durante a transformação que o mundo do cinema passou perante a chegada dos filmes falados, em meio aos caóticos anos de 1930, regado a muito Jazz, já característico do diretor/roteirista.

Assim como o termo “Babilônia”, o filme mostra a sua grandiosidade logo de início, com um toque de uma bagunça muito bem organizada. A cena de um elefante sendo levado por um carro de carga até a festa de um produtor diz muito sobre o mundo excêntrico do cinema em que o filme é tratado. Ao observarmos aquele momento é possível ter uma nova ótica sobre o mundo artístico nas primeiras décadas do século passado. Artistas de todas as formas, opióides, corpos nus regidos pelas batidas rápidas e frenéticas do Jazz. São eles que ditam o tom do filme. 

Margot Robbie como Nellie LaRoy em “Babilônia” ©Paramount Pictures.

Conhecer os bastidores do “show business” é uma grande fonte de curiosidade dos consumidores do mundo do entretenimento. Entretanto, o que acontece, de fato, por trás do “show business” ainda continua em segredo, Chazelle busca escancarar a vida babilônica que os astros do cinema da Era de Ouro em Hollywood viviam, com muitas trocas de cônjuges, práticas sexuais incriminadores, uso de drogas desenfreado e uma homossexualidade velada. Talvez alguns segredos tenham ficado de fora, mas muitos dos acontecimentos, que não tiveram muita repercussão, vieram à tona. 

Já conhecido por seus filmes com montagem rápidas e ritmadas, Chazelle consegue fazer com que seu extenso filme tenha um dinamismo muito interessante, com cortes rápidos e secos. Válido ressaltar que por sua edição ser pensada de maneira enérgica, construindo momentos tensos e dispersando com cortes secos, a longa duração do filme não se torna exaustiva. Cenas que a montagem se repete, elevam o nível de tensão, conseguem prender nossa atenção. Mais um mérito do filme. 

Bastidores da gravação de “Babilônia” ©Paramount Pictures.

Um dos fatores que mais merecem ser exaltados é o tempo de comédia muito bem acertado. O roteiro, tanto com suas piadas ligeiras ou com longos momentos cômicos, conseguem trazer o público a fortes gargalhadas. Margot Robbie interpretando Nellie LaRoy, se provou mais uma vez em cena e seus momentos de comédia são excepcionais. Brad Pitt também entrega um “fanfarrão”, com múltiplos problemas pessoais, dos melhores.

De fato, “Babilônia” não é um filme para todos, e com certeza, haverá uma polarização de opiniões ao final das sessões, mas uma questão é certa: ele é épico. Chazelle trás para o protagonismo do filme as pessoas que sempre foram marginalizadas, e ainda são, e escancara a dificuldade que elas encontram no meio da arte, seja por falta de sorte, networking, oportunidade mas não por falta de capacidade. Apesar de cada um passar por suas problemáticas próprias, todas sofrem a claustrofóbica vida de ter que esconder quem são. Mesmo a última hora não mantendo o mesmo impacto do começo e não concluindo a narrativa de alguns personagens da melhor maneira, conseguimos ver que o mundo da fama destrói as pessoas de dentro para fora, talvez não todas, mas a maior parte.

Nota: 8,5

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