Por Thiago Barboza

Em 2017, A24 e Greta Gerwig se uniam para realizar o filme indicado ao Oscar de Melhor Filme deste mesmo ano, “Lady Bird”. O filme, que também marca o início da parceria de Greta com Saoirse Ronan, logo foi aclamado pela crítica e público e acabou se tornando um clássico cult no gênero “coming of age”, filmes com temáticas juvenis e adolescentes.

Saoirse Ronan e Greta Gerwig no set de “Lady Bird”. ©A24.

Greta além de dirigir o filme também o roteiriza. Este é um dos fatores importantes para começar a entender o sucesso e a grande realização que “Lady Bird” é. Encabeçando o projeto, a diretora traz para o filme uma visão feminina para as personagens e principalmente, uma sensibilidade ao lidar com os temas apresentados. Greta Gerwig sabe como apresentar sua história quando se debruça nas relações humanas entre seus personagens e realça as lutas que cada pessoa passa através da trama.

Aliado a grande marca da diretora, o filme conta com um elenco jovem, que cumpriu as expectativas criadas sobre os atores e atrizes do projeto. Saoirse Ronan foi indicada ao Oscar por seu trabalho em “Lady Brid” e depois viria a ganhá-lo por sua atuação em Adoráveis Mulheres, outra colaboração com Greta Gerwig. Timothée Chalamet e Lucas Hedges são dois dos atores que hoje em dia são estabelecidos na indústria, principalmente Chalamet, que vem atraindo papéis cada vez maiores em sua carreira.

Diferentemente da grandiosidade dos papéis de Chalamet ultimamente, “Lady Bird” é uma trama intrínseca e pessoal. Com um escopo pequeno, a trama se passa em Sacramento, cidade do estado da Califórnia. A cidade, graças a fotografia belíssima de Sam Levy, se torna papel fundamental para o estabelecimento da história contada. “Lady Bird” é um filme que não pretende ser enorme, mas ao acertar em tantos pontos, é uma obra que se torna grandiosa pelo seu cuidado, sua delicadeza e assertividade.

É uma história extremamente relacionável, podendo traçar paralelos com nossas respectivas vidas. É uma história universal de amadurecimento, relação com pais e descobrimento como indivíduo. Christine (Saorise Ronan) é uma adolescente no ensino médio que tem uma relação conturbada com sua mãe Marion (Laurie Metcalf). Com sua vida adolescente a todo vapor, a jovem tem dificuldade em lidar com tantas coisas ao mesmo tempo. Além de sua relação conflituosa com sua mãe, Christine precisa aprender a lidar com o fato de amar, de não saber o que quer, de se frustrar, de sofrer.

Christine McPherson (Saoirse Ronan) e Marion McPherson (Laurie Metcalf) contracenando em Lady Bird. © A24.

Na frieza das palavras e do texto, parece até um certo exagero. Mas ao olharmos para nós mesmos, vemos que todos nós passamos pelas mesmas lutas que Christine passa durante a duração do filme. É essa universalidade da trama, aliada a visão de Greta, que torna a produção esse acontecimento arrebatador. É uma obra que conversa profundamente principalmente com meninas na faixa etária de Christine, com mulheres já adultas, com mães, filhas, irmãs, avós, netas, mas que também abre espaço para por exemplo, um homem cis gênero como eu, me emocionar com essa história tão preciosa.

“Lady Bird” é uma realização extremamente íntima. É nítido o esmero que toda a equipe teve com a história de Greta e este esforço conjunto criou um filme narrativamente e visualmente lindo. É Greta Gerwig se debruçando sobre o interior da mente e do coração de uma jovem em meio ao turbilhão que é crescer e ao trazer essa lupa para este recorte específico, ela extrapola as quatro barreiras limitadoras de uma tela e torna “Lady Bird” uma obra que fica intimamente com quem a assiste durante muito tempo.

Este texto faz parte do especial sobre a diretora Greta Gerwig em preparação para o seu novo filme, Barbie. Fiquem atentos no site para mais conteúdos relacionados a diretora.

NOTA: 9

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