POR THIAGO BARBOZA
“Golda – A mulher de uma nação” é o filme biográfico de Golda Meir onde a produção conta os principais momentos da atuação da então primeira ministra de Israel no conflito que ficou conhecido como a Guerra de Yom Kippur. O filme que estreia dia 31 de agosto nos cinemas nacionais traz a lendária Helen Mirren como protagonista para interpretar a imponência de Golda nas telonas, tarefa nada fácil. Antes de entrarmos mais na obra, é preciso pontuar que o filme trata de um conflito histórico através de um olhar específico de um dos lados, acarretando em alguns problemas.
Apesar de algumas questões, “Golda” tem pontos positivos que atraem o público e traz interesse ao espectador. Mesmo que quem vá a sessão não tenha conhecimento nenhum do evento tratado, o filme tenta situar o mais desavisado do que vem pela frente. Em seus instantes iniciais, a produção dá apenas as informações mais importantes para entendermos a trama do filme e situa o espectador temporalmente e fisicamente. Mesmo com esse esforço da direção e montagem, algumas pontas ainda ficam sem explicação ou são pouco exploradas. Quem detém de um conhecimento prévio do momento com certeza entenderá melhor algumas atitudes e terminologias mostradas na obra, enquanto um leigo no assunto pode se encontrar um tanto quanto perdido em alguns momentos do filme.

Fica claro que o tempo era curto, e contar a trajetória de Golda Mier precisou com que algumas decisões narrativas fossem tomadas. Saiu uma explicação mais detalhada do assunto e entra o foco total em cima da figura história interpretada por Helen Mirren. O trabalho da atriz é impactante, principalmente com sua atuação corporal forte. A medida que o filme passa, se nota menos Helen em tela e Golda começa a surgir cada vez mais devido a forte atuação da atriz. As cenas onde a câmera fica apenas na atriz é onde ela mais se destaca, trazendo sutilezas principalmente em seu olhar e gestos sutis.
O trabalho da atriz fica ainda mais impressionante quando nos debruçamos para a maquiagem do filme, ponto fundamental para a caracterização de Golda. Apesar de sua atuação, a maquiagem em vários momentos deixa a desejar no filme. Para viver a importante política israelense, Helen Mirren precisou passar por um grande trabalho de caracterização. Ainda que sua atuação consiga vencer o obstáculo de um trabalho inconsistente, em algumas cenas fica nítido o problema da maquiagem, as vezes acentuado por decisões de ângulo e fotografia bem questionáveis da direção e setores criativos.

Em cenas mais fechadas ou onde há poucos personagens em tela, Golda salta na tela, trazendo o foco toda em sua fisicalidade e fragilidade acentuada ao decorrer da trama. Nas cenas mais abertas e com mais movimento, entretanto, a maquiagem acaba se tornando uma distração, ao parecer artificial e parecendo fora do lugar do rosto e do corpo de Helen.
“Golda” é um filme que se propõe a contar um recorte muito específico de sua trajetória e não desdobra muito o antes e nem depois dos eventos da Guerra de Yom Kippur, tirando algumas cartelas no começo e no fim do filme. É um filme que se salva principalmente pelo seu elenco, onde protagonista e coadjuvantes trazem confiança e segurança para seus personagens.
Por outro lado, é um filme com uma premissa problemática, onde ele apresenta só um lado da história e o trata como “certo”, o que pode causar desconforto para muitos. Com a arte, direção e fotografia não conversando em harmonia, o roteiro e o elenco são a salvação para uma obra que podia mais, porém fez escolhas que atrapalham o apreço pelo longa.
Nota 6.0
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