“All Fun & Games”, título original da obra, chega ao brasil nesta quinta-feira, dia 30 de novembro atráves da distribuição da Diamond FIlms. O novo terror chega chamando a atenção por seu elenco jovem e que conversa com a juventude mais atenta a cultura pop, trazendo para papéis de destaque Asa Butterfield (Sex Education) e Nathalia Dyer (Stranger Things).

A história do filme trata de uma família residente da cidade de Salem, nos EUA. Com o histórico da cidade cheio de histórias macabras e bruxaria, a família de Billie, interpretada por Natalia Dyer, acaba se deparando com um objeto amaldiçoado que atormenta a família. Uma trama um tanto quanto conhecida, não é mesmo? É o que “Jogo da Invocação” acaba se tornando ao decorrer do filme, mais do mesmo.

Costumo dizer que o principal combustível para 90% dos filmes de terror é a burrice, ainda mais em casos onde o filme se escora em velhos clichês do gênero, o que é o caso de “Jogo da Invocação”. Em específico sobre o filme, lidamos com a burrice infantil. Jonah, interpretado por Benjamin Evan Ainsworth, encontra uma faca um tanto quanto aterrorizante em uma cabana abandonada no meio da floresta. Mesmo com seu irmão mais velho Marcus (Asa Butterfield) dizendo para ele deixar o objeto lá, ele acaba levando a faca para sua casa dentro de sua mochila.

No primeiro ato do filme, o personagem mais focado é o irmão mais novo Jonah e com isso temos talvez o primeiro grande problema do filme, a atuação do jovem Benjamin Evan. Em algumas cenas, parece que o ator mirim está fazendo força para atingir a emoção necessária, sendo emoções que aparentemente não exigiriam tamanho esforço. Enquanto seguimos com o holofote em Jonah e suas ações, o filme custa a trazer o espectador para dentro da trama.

Um ávido consumidor de terror talvez já tenha o costume de relevar atitudes questionáveis de personagens ou roteiros que não dão base para as suas decisões, mas para um espectador mais casual, a constante atuação questionável de Benjamin com um roteiro que não ajuda o seu personagem trazem dificuldade em comprar a narrativa do filme.

Outro fator muito batido no gênero do terror é a negligência, quando personagens vêem que há algo errado, mas não fazem nada sobre e aqui não é diferente. Quando mal executado, momentos que são normalmente usados para mover a história para frente podem causar estranheza no espectador e fazer com que ele saia momentaneamente ou completamente da trama e comece a encarar os personagens de um jeito que não beneficia a experiência ao assistir ao filme. Resumindo, isso pode causar que você torça contra os “mocinhos”.

Talvez auto-consciente disso, o roteiro a partir de um momento chave, passa o foco para os principais atores do elenco, Asa e Natalia. Aqui, temos um acerto. Ao trazer o holofote para os atores de mais renome, o horror se torna mais crível e perigoso para quem está envolvido na trama, além de criar atuações e reações mais orgânicas que tentam trazer de volta aqueles que se perderam até aquele momento assistindo ao filme.

Mesmo com este acerto, não é um acerto certeiro. Outro fator recorrente em filmes de terror é o susto ou mais conhecido como “jumpscare” e parece que a direção junto ao roteiro não conseguiram achar modos de trazer esses momentos para dentro da linha temporal do filme. Os únicos momentos que aceleram mais o coração são flashbacks com um rompante de música alta, quase como flashes de luz para causar algum tipo de incômodo e não momentos criados pela equação direção, fotografia e movimentos de câmeras. Assim, o filme parece ser preguiçoso em criar e depende de momentos posteriores para aumentar a tensão necessária para cada cena.

A obra não é de todo ruim, entretanto. No meio do longa, temos a explicação sobre o que está acontecendo e como uma maldição antiga veio assombrar uma família do interior. A revelação e a exposição sobre o que está acontecendo é fundamental para tentar salvar a obra ao olhar do espectador. Com uma solução simples, mas crível e bem explicada, a ameaça do filme se torna não só algo maligno fazendo o mal, mas algo com uma razão e um objetivo.

Outro ponto positivo é a duração do filme, 77 minutos. E não digo isso para brincar de “ainda bem que o filme acabou”. Mesmo com seus problemas, “Jogo da Invocação” prova que ainda é possível fazer filmes mais enxutos que ainda tenham começo, meio e fim, uma linha narrativa coesa e que cumpra seus objetivos. O filme conta com alguns pontos negativos, entretando. O primeiro ato do filme, atuações medianas no máximo, uma maquiagem comum e uma direção um tanto quanto preguiçosa são os principais pontos negativos. No final de contas, “Jogo da Invocação” pode se tornar atrativo para aquele fã de terror que consome sempre filmes do gênero, mas para o público geral o filme corre sério risco de se tornar alvo de risadas dentro da sala de cinema do que propriamente um susto.

NOTA: 5

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