Por Julia Paes
“Os Rejeitados”, o mais novo filme que marca a parceria entre o diretor Alexander Payne e o ator Paul Giamatti, foi aclamado em sua jornada nos festivais ano passado, e agora é um dos principais filmes da temporada de premiações.
O filme é ambientado nos anos 70 e acompanha a história de Paul Hunham, um professor, pedante e rígido com seus alunos, que é punido pelo diretor a permanecer no colégio cuidando dos alunos, que não conseguirão voltar para suas casas nas festas de final de ano. A cozinheira do colégio, Mary Lamb, atravessando o luto pela perda de seu único filho, escolheu permanecer ali durante as férias escolares junto de Paul e os alunos. Angus

A história bebe da fonte de alguns clássicos envolvendo a temática escolar, como: “Sociedade dos poetas mortos” e “Gênio indomável”. O primeiro inspira na dinâmica do funcionamento do colégio e convívio entre os alunos, mas essa estrutura de narrativa logo é abandonada e se aventura em uma nova forma de construir relações entre os personagens principais. A segunda inspiração, mostra a relação entre mentor e aluno, que se desenvolve mais adiante na narrativa.
A conexão entre os meninos, confinados no colégio, não é transcorrida em tela, e logo entendemos o porquê. A partir do momento que Angus permanece ali, sem dividir tempo de cena com os outros alunos, o filme apresenta um ritmo interessante e a história se transforma bem à nossa frente. E, deste momento em diante, acompanhamos a história de três personagens que encontram um no outro a família que falta neles.

A narrativa ganha força quando a relação entre Paul, Mary e Angus fica evidenciada e eles são obrigados a conviver sozinhos. Em meio às angústias e desalentos de um natal presos no colégio, os três constituem uma família, mesmo que com tempo limitado. Angus e Paul criam uma ligação calorosa, em que o aluno força seu professor a sair da zona de conforto e olhar a vida a partir de uma nova perspectiva. A casca grossa de Paul vai se derretendo a cada segundo, e um homem carismático surge em tela.
Da’vine Joy Randolph brilha ao dar a vida a uma mãe que sofre pela perda precoce de seu filho. De origem humilde, foi com seu trabalho como merendeira, que Mary conseguiu bons estudos para seu filho, mas não conseguiu impedir o destino cruel do alistamento militar. Vemos a solidão que a mulher sofre, junto com as micro agressões verbais que os alunos abastados cometem com ela. Ambos Paul Giamatti e Dominic Sessa possuem uma química incrível em cena, que apesar de demorar para engatar, vemos que eles são dois lados da mesma moeda.

Apesar do filme ter sido gravado digitalmente, a fotografia consegue atingir o efeito ideal para emular a gravação em película. Ao longo do filme, a neve é trabalhada de maneira deslumbrante pela equipe de fotografia, que em meio o frio absoluto, consegue encontrar o calor para ideal para as cenas.
Ao final do filme, fica claro de onde Alexander Payne se inspirou para criar sua história, que por mais que não tenha revolucionária em sua construção, ou que queira trazer uma nova estrutura, nos encanta com personagens amorosos. Numa espécie de memória preservada, uma fotografia que toma vida, é uma história encantadora, que deixa claro que podemos encontrar amor e afeto nos lugares que menos esperamos.
Nota: 8,5

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