Por Thiago Barboza

Rose Glass retorna com o seu novo projeto “Love Lies Bleeding”, retomando também a parceria com a A24 que anteriormente produziu o terror “Saint Maud”. “Love Lies Bleeding – O Amor Sangra”, título em português, prometia coragem, ousadia e muita sensualidade em seus materias promocionais e agora está chegando a hora de descobrir se tudo o que foi prometido realmente foi entregue ao espectador.

Katy O’Brian em Kristen Stewart no set de “Love Lies Bleeding”. ©A24.

O longa metragem conta com Kristen Stewart e Katy O’Brian nos pápeis de protagonismo, além de Dave Franco e Ed Harris como importantes personagens coadjuvantes. Katy interpreta Jackie, uma aspirante a fisiculturista que almeja ganhar o status de profissional em um campeonato que acontecerá em Las Vegas. No meio de sua jornada até a cidade, ela encontra Lou, uma gerente de uma academia em uma pequena cidade norte-americana e acaba se apaixonando pela personagem de Kristen Stewart.

Dave Franco no set de “Love Lies Bleeding”. ©A24.

Seguindo essa premissa, podemos dizer que o filme é um romance e ele realmente é. A história de amor entre Jackie e Lou é cativante e um dos principais pontos do filme. A forma com que Rose Glass mostra a intimidade do casal é potente e corajosa, não se escondendo de expressar os importantes momentos entre as duas. A sensualidade das personagens não é em nenhum momento vulgar ou forçado, mas sim ferramenta importante para a estética do filme e progressão da trama.

Agora, além do aspecto do romance entre as protagonistas, temos outro aspecto que permeia a carreira de Rose Glass até o momento: o terror. Neste caso, estamos tratando de um “nicho” do terror chamado “Body Horror”, onde o corpo das personagens é o principal motor do horror do filme, sendo a tela onde o terror do filme é pintado. No body horror e em “Love Lies Bleeding”, a deformção do corpo humano em diferentes formas e tamanhos é o modo onde o diretor busca causar o estranhamento.

Katy O’Brian em Kristen Stewart no set de “Love Lies Bleeding”. ©A24.

Na produção, este elemento do body horror é muito bem justificado devido a uma ação específica de Jackie. Após este momento, o filme engrena nessa pegada e não perde este foco até o último instante do filme. É uma saída inteligente para inserir elementos de terror no filme, justificados por uma ação do roteiro e não só apenas para agradar ou causar visualmente.

A coragem de Rose Glass vai além da forma com que ela mostra a intimidade entre Jackie e Lou, mas também na forma visceral como ela lida com os elementos do terror e da vida real da trama, trazendo um ótimo balanço entre o choque das mortes e das formas que seus corpos tomam e o realismo do mundano de pessoas com problemas. Uma terceira via que o filme toma é o suspense, onde uma investigação acontece durante as 1 hora e 44 minutos de exibição.

Essa alquimia de gêneros, podemos dizer, cria uma trama especial que não se vê todos os dias sendo feito. Para atingir a proposta do filme, os envolvidos precisaram ousar e criar elementos para lidar com todas as vertentes que atuam na história. Em meio a todos esses elementos, Katy O’Brian acaba se destacando pela sua atuação, com seus trejeitos e entregas de falas sempre no tom certo e principalmente na corporalidade que sua personagem exigia. Katy atinge um nivel de entrega para a história louvável, alcaçando um físico impressionante, ainda mais na tela de um cinema.

Katy O’Brian no set de “Love Lies Bleeding”. ©A24.

Esse mesclado de ideia que é “Love Lies Bleeding” acaba dando ao filme uma identidade única, mas também acaba danificando a obra numa visão maior. Por ter elementos tão diversos em sua trama, o filme acaba não de destacando em nenhum. O longa acaba não sendo um expoente nem no body horror, no romance ou no suspense, acaba sendo apenas bom em todos esses níveis e por mais paradoxal que possa soar, não tem problema nenhum nisso.

Os artistas envolvidos no projeto tinham uma visão e este visão necessitava de elementos das mais diversas fontes e assim foi feito. Caso um desses elementos fossem retirados do filme, teríamos outra coisa, mas não seria “Love Lies Bleeding”. Em meio a uma incessante busca pela perfeição, precisamos achar espaço para coisas simplesmente boas. Em uma realidade onde 5 estrelas é tudo e 0 é nada, achar um meio termo muitas das vezes é a melhor solução.

Nota: 6,5

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