Por Matheus de Britto.

Em seu quarto longa-metragem, o coletivo de cineastas canadenses, RKSS (Yoann-Karl Whissell, François Simard, e Anouk Whissell), incorpora a inquietação da Geração Z em face as consequências decorrentes das mudanças climáticas e da exploração desenfreada do meio-ambiente à uma narrativa que busca retomar e então pulsar de acordo com a energia de caos crescente comum  aos clássicos B e aos slasher do final da década de 1970 e do início da de 1980. Não tarda, contudo, para que A Hora do Massacre, mesmo sendo assumidamente um produto de um período no qual estar atento aos posicionamentos publicados nas redes sociais tem sido considerado como sendo mais importante do que estar de fato na dianteira da luta de um movimento, aponte a engenhosidade das armadilhas de seu assassino como sendo o que de fato lhe interessa explorar ao longo de seus 90 minutos de duração.

Baseado em uma ideia original de Martin Soudan e roteirizado por Alberto Marina, o longa, que segue seis adolescentes determinados a combaterem o status quo e que estão prestes a vandalizarem os produtos comercializados pela House Idea, lembra outro lançamento recente, Feriado Sangrento (2023), de Eli Roth, no sentido de tornar explícito o papel desempenhado pelo capitalismo por detrás das relações, mas sem buscar por qualquer justificativa à própria existência que esteja baseada em embalá-lo como se fosse um produto socialmente engajado na construção de uma crítica carregada pelo didatismo. É um filme que não abre mão de sua consciência de que todos esses personagens são frutos do meio, mas que não cede as pressões do momento no qual está sendo lançado, posterior a uma fase na qual o cinema mundial viu reacender os debates sobre a luta entre classes.

Os corredores que ostentam móveis e outros tantos produtos fabricados de acordo com uma suposta necessidade de consumo e bem-estar são transformados em armadilhas mortais, cuidadosamente planejadas por um assassino que não permanece escondido por trás de uma máscara, no interior deste labirinto claustrofóbico – e nem sempre bem explorado pela câmera de RKSS – no qual os adolescentes são lançados uma vez que seus planos dão errados. O filme assimila os principais códigos do subgênero, mas sem fazer disso uma regra, valendo-se também da possibilidade de subvertê-los conforme acompanhamos a escalada de violência entre esses personagens, arquétipos claros do slasher, e Kevin, um segurança demitido após um caso de agressão e recontratado para trabalhar no turno da noite ao lado de seu irmão, que chama atenção pela maneira como Turlough Convery encarna sua fúria homicida através do olhar.

Apesar do conflito ter origem na divergência percebida entre as perspectivas presentes – dos adolescentes que estão lutando contra um sistema opressor e exploratório, e dos seguranças que estão batalhando rotineiramente para manterem seus empregos, marginalizados em suas funções – A Hora do Massacre não tenta bancar a mesma esperteza que passou a ser cada vez mais comum em produções desta safra recente, chamando atenção principalmente quanto a dificuldade em demasiado para sustentá-la. É um slasher inofensivo, no final das contas, que trabalha de acordo com o que acredita ser o melhor deste subgênero, assumindo a frontalidade destes elementos enquanto emprega uma sensibilidade moderna na maneira como lida tanto com as motivações deste grupo de ativistas quanto com o que está por trás do rompante de fúria que leva Kevin a persegui-los ao longo da madrugada.

Nota: 7.0/10

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