“All Dirt Roads Taste Of Salt” é o novo drama da A24 que chegou ao festival do Rio através da mostra “Expectativa” do evento. O drama dirigido e escrito por Raven Jackson traz um olhar íntimo à uma menina negra no interior dos Estados Unidos.

Na trama, acompanhamos a protagonista Mackenzie, sua irmâ, mãe e pai ao longo de diferentes momentos vida de Mack. Ao decorrer do filme, saltamos de forma não linear entre sua infância/adolescência, fase adulta e um breve olhar em sua velhice e nos aprofundamos em como suas relações familiares a afetaram nos diferentes pontos de sua vida.

Muito se discutiu recentemente se a A24 tinha perdido sua “essência”, indo em uma direção mais comercial do que seu início bastante autoral. “Todas As Estradas De Terra Têm Gosto de Sal” é um retorno a este momento onde supostamente havia maior liberdade criativa em relação as obras com o selo da produtora estadunidense.

É nítido que Raven Jackson teve espaço para criar o longa da sua forma desejada, mas esta liberdade acaba resultando em algo desastroso. Várias escolhas criativas acabam por afastar o público do filme, do mais experiente espectador ao mais casual.

Um dos problemas é a já citada não linearidade narrativa do filme. Ferramenta comum no cinema, no caso de “Todas As Estradas De Terra Têm Gosto De Sal”, este recurso acaba se esvaizando devida a repetida utilização e falta de marcações visuais e/ou sonoras que ajudem ao espectador reconhecer a passagem ou retrocesso no tempo.

Aliado a isso, o ritmo do filme é preocupante. Jackson claramente se excede ao alongar de forma desnecessária vários planos do filme. Ao buscar amplificar a emoção de cenas e aproximar o público para certos momentos, as tomadas longas causam o efeito oposto, trazendo impaciência nas repetidas tentativas de alongar artificialmente as cenas.

Outro motivo que tenta explicar essa decisão são os paralelos entre algumas cenas do filme. Ao esticar os momentos, algumas movimentos são marcados para que em um ponto futuro do filme nos remeta ao mesmo movimento e enquadramento, mas essa justificativa também falha. Até o filme chegar ao ponto de mostrar esses paralelos, o constante ritmo arrastado do filme cansa o espectador afasta qualquer tipo de “perdão” da sua escolha artística.

Com uma história intimista e ótima premissa, o filme tinha tudo para contar a bonita história de Mackenzie com o apoio de boa fotografia e boas atuações. O que se têm na realidade é um filme arrastado, onde a narrativa perde a queda de braço para uma estilística fora de sentido.

Na última meia hora de exibição, parece que o próprio longa autoreconhece suas falhas e tenta resolve-las, mas era tarde demais. Com um encerramento que tinha tudo para arrebatar vários corações nas salas de exibições do Festival do Rio, o que se têm são olhos confusos e cansados com os 97 minutos de exibição.

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