“Deadstream” é um longa-metragem de terror found footage original Shudder com distribuição da Imovision. O filme do diretor e protagonista Joseph Winter está com sessões selecionadas na 26ª edição Festival do Rio.

A trama do filme envolve o polêmico streamer Shawn, que após sofer um cancelamento, tenta fazer sua volta triunfal à internet com a idéia de fazer uma livestream dentro de uma casa amaldiçoada. Apesar de uma premissa simples, não esperem um filme “mais do mesmo”.

Nos primeiros estágios do cinema, o chamado “cinema das atrações”, muito se discute se com os olhares de hoje, se aquilo era mesmo cinema. Nas academias cinematográficas, ficou-se estabelecido que o cinema evoluiu ou até mesmo “nasceu” com a chegada da linguagem cinematográfica, proveniente do advento da narrtiva fílmica.

O ponto onde quero chegar é a linguagem impressa em “Deadstream”. Filmes com o ponto de vista do personagem não são novidades e se popularizou em um gênero onde “”A Bruxa de Blair” ditou muito o rumo dos filmes subsequentes, incluindo o próprio “Deadstream”.

Por seu protagonista ser um influenciador digital, o filme adota o formato utilizado em plataformas digitais como YouTube e Twitch, com edição e roteiro que parece saírem do seu canal de vlogs favorito. Isso traz um frescor ao gênero e força os limites do found footage, além de questionar quais os elementos que compões essa tal “linguagem cinematográfica”, que soa como uma verdade absoluta, mas que está em constante mutação.

Esta escolha criativa serve não só para trazer verosimilhança ao found footage desejado, mas também rapidamente situa quem é Shawn, como ele age em seus vídeos, mostrando sua personalidade e aproximando o personagem ao público.

Para um filme, principalmente de terror, algo de errado precisa acontecer e é exatamente o que ocorre. Shawn estabelece que precisa passar uma noite na “Mansão dos Mortos” e documentar a presença de fantasmas na casa. A partir daí, uma transmissão ao vivo se torna um pesadelo.

Se “Deadstream” fosse um monstro, suas partes seriam feitas pelas diversas referências que a produção faz aos mais vários filmes e personagens clássicos do terror. A veia principal ainda é o found footage, ainda que evocando elementos do trash dos anos 70/80, o slasher das mesmas décadas, o auge do found footage nos anos 90, sua retomada nos anos 2000 e até videogames em primeira pessoa.

Cada pitada dessas referências se somam a criatividade ao casal de roteristas Joseph Winter e Vanessa Winter, a engenhosidade da direção, o cuidado da arte e entregam um filme extremamente divertido que emerge como um expoente dentro da colcha de retalhos do terror.

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