A animação em stop motion “Mad God” chegou aos cinemas após 30 anos de produção. O filme chega aos cinemas brasileiros primeiro durante o Festival do Rio em exibições especiais.

O longa escrito e dirigido por Phil Tippett é algo diferente de tudo o que você provavelmente já assistiu, mesmo para um assíduo cinéfilo ligado em diversos movimentos. “Mad God” é uma experimentação, uma experiência artística difícil de explicar e reproduzir.
Com um período de produção absurdo, os 30 anos que demoraram para criar “Mad God” são perceptíveis em tela devido a alguns fatores. Por se tratar de uma animação utilizando a técnica de stop motion, invarievalmente um filme com esta técnica dura mais tempo de ser filmado, mas não três décadas.

Parte desse tempo de produção se dá aos cenários extremamente elaborados e detalhados e as criaturas cada vez mais bizarras em tela. Além disso, transparece que o diretor Phil Tippett parecia esperar algumas tecnologias que não havia há 30 anos atrás para poder finalizar seu filme. A obra aproveita também atores reais e efeitos digitais pontuais para acrescentar à loucura que é “Mad God”.
O longa-metragem é o resultado da imaginação aparentemente infinita de Tippett, que convida o espectador a se despir da razão de procurar uma narrativa convencional, ao refutar diálogos e priorizar o visual escalafobetico impresso no filme. A trama contém um fio narrativo, mas fica em segundo plano para a explosão sensorial que “Mad God” ocasiona.

Abro um breve parêntesis para elaborar um pouco sobre minha experiência e para exaltar o belo e aconchegante Cine Santa Teresa. O recentemente repaginado cinema disponibilizou uma sala com som e principalmente imagem que com certeza adicionaram ao gozo de assistir o filme. Ter a oportunidade de conher um novo cinema graças ao Festival do Rio já é um acontecimento em si, e hoje foi elevado pela qualidade do cinema carioca.
“Mad God” é inquietante. Inquietante para sua mente, ao apavorar com cenas grotescas e imaginar o tremendo processo criativo por trás da obra. A medida que o filme utiliza elementos medievais, futuristas, cyberpunk, steampunk e tantos outros gêneros e sub-gêneros, o longa nos faz viajar no tempo. Viajar para uma época onde filmes eram feitos de forma artesanal, com um cuidado e nível de detalhes que hoje em dia são alcançados raramente e de forma digital, afastando o artesão da sétima arte.

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