“O Império” é um filme de ficcção cientíifica francês escrito e dirigido por Bruno Dumont, que se passa em uma pacata vila de pescadores no norte da França. O que os moradores da vila não sabem é que eles estão em meio a uma batalha intergalática.

A trama do filme envolve o nascimento de um bebê, que a primeira vista parece como todo outro bebê. Em pouco tempo, vemos que a realidade não é bem assim e a criança é na verdade um presságio malígno do que está por vir. Jony é o pai da criança, sendo na verdade um extraterrestre que apenas habita o corpo de um pescador francês.

Ele faz parte de um clã maligno chamado de 0, que com o auxílio de outros aliados disfarçados de humanos, buscam exílio na Terra para sua raça perdida. Em contraponto, temos Jane, princesa do clã inimigo 1, que busca derrotar os 0 e trazer equilíbrio a raça humana ao invés de sua destruição.

A partir deste primeiro contato, com certeza parece com várias histórias de ficcção que já tivemos por aí, principalmente para os mais aficionados no gênero. Mas a grande sacada de “O Império” não é uma premissa revolucionária, mas sim a reimaginação que Bruno Dumont concretiza com seu filme.

Dumont, que dirige e escreve o filme, foge completamente de saídas fáceis que o cinema, principalmente estadunidense, criou para o gênero. Por se passar na França, o filme usa o cenário e imaginário francês para criar sua própria interpretação de como seria uma invasão alienigena e a luta para a sobrevivência da raça humana.

Maior exemplo disso são as representações dos clãs espaciais. As duas raças têm em suas bases suas naves espaciais, com características diferentes entre si, mas conhecidas por nós. O design das naves reflete as motivações dos personagens e consegue criar algo futurístico mesmo com referências mundanas.

O clã 1, que busca ajudar a raça humana, reside em uma nave vertical, onde o centro de comando fica no topo da nave. Este centro de comando é representado como uma catedral, transformando as antenas e ângulos de uma nave especial convencional em vigas de mármore e vidraçais de uma igreja, fundindo o cotidiano ao especial.

Já o clã 0 recebeu um tratamento diferente. O objetivo desta raça é erradicar os humanos para eles viverem na Terra. Com este propósito maligno, a ironica representação do filme para os 0 é um imenso castelo aristrocrático. O que é mais francês do que representar o mal através da imagem da nobreza e aristocracia?

A união de um cinema francês inteligente e ácido com ponto de partida da ficcção criam um filme resulta em um longa que em momentos parece esquecer sua veia especial e é “só” mais um bom filme francês, mas que quando a produção escolhe aflorar seu lado da ficcção científica, não consegue escapar de sua forte identidade francesa.

“O Império” é um exercício criativo que traz um gênero que costuma gastar milhões ao criar grande universos e ambientes para o cotidiano de uma pequena cidade, reimaginando símbolos e locais, assim entregando ótimos efeitos especiais e uma trama que a princípio parece dissonante, mas que acerta ao não temer o que ela é.

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