“A Real Pain”, título original em inglês, é um dos filmes selecionados para a 26ª edição do Festival do Rio. O longa é a segunda entrada de Jesse Eisenberg na direção e roteiro. O famoso ator anteriormente havia dirigido e também escrito o filme produzido pela A24 “When You Finish Saving the World”.
Em “A Verdadeira Dor”, Jesse dá vida a David, que divive o protagonismo da trama ao lado de Benji, interpretado por Kieran Culkin. Ao viajarem para a Europa em busca de homenagear sua falecida avó, os primos buscam reatar a relação mais próxima que tinham, mas que se perdeu ao longo do tempo.

Rapidamente conseguimos notar as diferenças visuais e comportamentais entre os primos David e Benji. Enquanto David vive uma vida frenética entre família e emprego, Benji é o primo alternativo que busca um rumo para sua vida. Essa dicotomia entre os personagens é fundamental para entender as escolhas do filme.
Ao viajarem juntos com um grupo de turismo, passamos 90% do longa com a dupla e assim, imerso em seus conflitos de personalidades e diálogos rápidos e inteligentes. Jesse Eisenberg dirige, atua e produz o filme, mas é no roteiro onde ele tem seu maior destaque.

Ao mesclar o respeito ao lidar com uma ficcção sobre a história de várias famílias judaicas com o holocausto com um humor seco e repentino, o longa-metragem traz uma linguagem para si um pouco difícil de absorver, mas que funciona ao equilibar o tom do filme.
Com a presença desse humor, “A Verdadeira Dor” acaba sendo uma comédia, mas que não para por ai. A relação entre David e Benji, como ela se desenvolve durante a trama e afeta os personagens dá ao filme profundidade e afasta o longa de uma comédia sem substância.

É um humor que busca um refinamento, ao inserir os momentos de riso de forma quase imperceptível em diversos momentos. É o oposto do humor onde os filmes param e separam alguns minutos só para risada, dando a impressão que diretores e roteiristas não sabem aonde colocar os momentos cômicos em suas obras.
O personagem que acaba sendo o alívio cômico do filme é Benji. O trabalho de Kieran Culkin realça o roteiro e traz uma complexidade a Benji que em diversos momentos faz com que você não sabe se sente raiva, pena, graça ou simpatia com a sua história.
Um dia ouvi dizer que todo introvertido merece um extrovertido ao seu lado e parece que “A Verdadeira Dor” surgiu desse lema. A contraposição entre as personalidades de David e Benji e o espaço criativo de Jesse e Keiran para relação entre suas personagens é o destaque do longa, que nos faz perguntar qual é a verdadeira dor que o filme trata.

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