A A24 aposta fortemente de novo no terror, dessa vez com o filme “Herege”. Previsto para estrear em novembro, o longa-metragem dirigido por Scott Beck e Bryan Woods teve uma sessão especial no Festival do Rio e tivemos a oportunidade de assistir em primeira mão.

Acompanhamos em “Herege” a dupla de missionárias Barnes e Paxton. As irmãs da igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias têm a missão de espalhar sua crença na vizinhança próxima e debater as idéias mórmons com quem para para ouvi-las.

É o caso de Mr.Reed, quem recebe as irmãs em sua casa para ouvir as palavras religiosas de ambas. Em um primeiro momento, o personagem interpretado por Hugh Grant aparenta ser novo ao tema e aberto a conversão, mas a medida que o filme passa, a ingeunidade de Mr.Reed se transforma em uma sabedoria inquietante.

É importante salientar que “Herege” é um filme extremamente inteligente e audacioso pelo tema que ele trata. Ao permear a religião por toda sua trama e tornar esse tema fator fundamental para a narrativa da obra, o filme faz o público talvez repensar certos temas, a medida que as irmãs Barnes e Paxton tem suas fés constantementes desafiadas.

Seja por um diálogo perpiscaz ou por momentos de extrema tensão, fica claro que “Herege” busca a inquietação do espectador ao instigar a todo momento se realmente o que está é uma solução ou apenas mais uma peça do quebra-cabeças aterrorizante que o senhor Reed planejou meticulosamente.

Mesmo com uma base sólida e boas atuações de Chloe East e Sophie Thatcher, é a interpretação de Hugh Grant que mais se destaca na produção. Sua execução para viver Mr.Reed é incrível, dando ao personagem charme, contundência e atração. Sim, atração, mas não de uma forma sexual. Grant acerta tanto no tom de seu personagem que ele demanda 100% da atenção quando em cena e quando não está, faz com que sintamos falta do ardiloso Mr.Reed.

“Herege” parece um filme que nunca está satisfeito. A forma que o filme ataca a tema religião é diferente e ousado, não só um plano de fundo para justificar a aparição de algum demônio ou fantasma para assombrar os protagonistas. A problemática religiosa é intrínseca ao desenvolvimento narrativo do filme e expande para diversas crenças do nosso dia-a-dia, problematizando seus dogmas e questionando suas diretrizes.

A dupla de diretores e roteiristas Scott Beck e Bryan Woods foram muito felizes ao criar uma história de terror onde sua proposta narrativa não fosse afetava em detrimento aos momentos assustadores, mas sim elevada com pontos de tensão e reflexão. Com Hugh Grant impecável e uma história audaz, “Herege” merece estar entre os grandes terrores da A24.

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