Desde sua primeira aparição, o palhaço macabro Art chamou a atenção pela sua caracterização e violência. Agora com a chegada de “Terrifier 3” aos cinemas, a promessa é que a violência seja ainda maior e que a franquia ganhe mais adeptos para sua crescente base de fãs.

“Terrifier 3” segue algumas constantes de seus antecessores. Assim como o segundo foi um salto para o primeiro, o terceiro filme da série é um grande salto no orçamento, de 250 mil dólares para 2 milhões. Ainda sendo um filme de baixo orçamento, o longa consegue refinar alguns pontos técnicos da produção, sem perder o aspecto mais artesanal da violência e escatologia retratados nos filmes.

Além de seu orçamento, outra constante é a volta dos irmãos Jonathan e Sienna Shaw, sobreviventes do filme anterior. Os dois buscam seguir suas vidas após o trauma dos eventos passados, mas Art consegue arranjar um jeito de voltar e continuar aterrorizando os irmãos e todo o condado de Miles.

Essa progressão da história, principalmente da personagem interpretada por Lauren LaVera, traz para “Terrifier” 3 uma cara de filme de terror “clássico”. Sienna recebe claramente o tratamento de uma “final girl”, elemento tradicional em filmes de terror, principalmente slashers. Assim, o filme consegue conectar o público à missão de Sienna para lutar contra Art e sua companheira.

Sim, companheira. No segundo filme, Art tinha a companhia de uma espécie de irmã, a representação da entidade maligna que o acompanha. Em “Terrifier 3” essa entidade toma forma na figura de Victoria Hayes, sobrevivente do primeiro massacre do condado de Miles. Victoria é possuída pela entidade e agora acompanha Art na sua matança desenfreada, em busca de um objetivo em comum.

Por mais que Victoria ajude nas maldades, o holofote em Art não se perde. A medida que os filmes vão passando, parece que David Howard Thorton fica mais confortável com o personagem. Criando junto ao roteiro, o ator traz momentos engraçados para Art ao longo do filme, mas nunca perdendo o ar mórbido e ameaçador que o palhaço exala. Com isso, mesmo sem falar, Art se destaca dentre os astros dos slashers, como Jason e Michael Myers.

Falando de roteiro, Damien Leone continua no comando de sua criação, dirigindo e roteirizando o filme. Em “Terrifier 3”, é nítida a evolução da sua escrita, acertando não só na continuação da história do 2, mas também na duração do longa. Enquanto o segundo filme teve duas horas e vinte extremamente arrastadas, agora no terceiro em uma 1 hora e 22 minutos, Damien expande a história de Sienna sem perder os momentos sanguinolentos de Art.

Ainda que não esteja totalmente claro, a misteriosa relação entre Sienna e seu pai é melhor explorada no filme e dá indícios de qual a relação entre seu pai e o palhaço que atormenta sua vida. O uso de elementos de fantasia para justificar a saga de Sienna contra Art é um frescor muito bem-vindo para o gênero e traz certa originalidade para a franquia, em um meio que o habitual são remakes e continuações preguiçosas.

“Terrifier 3” avança em várias frentes, ao dar um norte para uma provável sequência e acreditar em Lauren LaVera como Sienna. A obra mostra que é possível trabalhar com mais dinheiro, elevando o nível da produção sem perder a identidade da franquia, que popularizou Art entre os icônes recentes do slasher e marcou o condado de Miles como cidade importante no mapa do terror.

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