Por Thiago Barboza

A tão aguardada colaboração entre a estrela Nicole Kidman e A24 finalmente chegou. “Babygirl” é o novo filme da produtora com direção de Halina Reijn, que já dirigiu anteriormente “Bodies Bodies Bodies” para A24. Em “Babygirl”, acompanhamos Romy (Nicole Kidman) tentando balancear sua carreira empresarial bem sucedida com seu desejo pelo novo estagiário de sua empresa.

Samuel, interpretado por Harris Dickinson, entra na vida profissional e pessoal de Romy como um turbilhão. Ao notar os anseios de sua chefe, ele enxerga uma oportunidade de se aproximar da personagem de Nicole Kidman e tornar a relação deles além do profissional, com táticas provocativas e comandantes de sedução.

Desde os primeiros intantes do filme, é mostrado qual será a abordagem escolhida para mostrar os momentos íntimos entre os personagens. Este estabelecimento prematuro é importante para não só situar o espectador, mas também para traçar paralelos entre os momentos que Romy tem com o seu marido Jacob e com o amante Samuel.

Romy é uma empresária de sucesso, CEO de uma grande empresa de robótica e com uma família feliz com seu marido e duas filhas, mas parece que falta algo. Ao longo do filme descobrimos o que falta na vida aparentemente perfeita da personagem: controle. Ou melhor, a falta dele.

Romy tem uma fantasia de ser controlada pelo seu parceiro, bem diferente da forma com que seu marido a trata, com uma relação mais “cotidiana”. Nessa busca por um companheiro mais alinhado com os seus desejos, acompanhamos a relação entre Samuel e Romy se desenvolver e os sentimentos que afloram dessa relação sigilosa.

O desejo sexual de Romy continua sendo o ponto focal do filme, mas durante os 114 minutos de exibição do longa, diversos outros temas são debatidos pela diretora e roteirista. Temas como sororidade, a luta da mulher no meio empresarial, a dificuldade em aceitar quem somos são algumas das temáticas abordadas concomitantemente ao erotismo de “Babygirl”.

Em meio a diversas temáticas e uma abordagem mais 18, é imperativo destacar a importância da dupla Nicole Kidman e Halina Reijn para o êxito de “Babygirl”. A forma com que Nicole atua é completamente despida, literalmente e subjetivamente, de qualquer tipo de vergonha. Nota-se que a atriz entregou-se completamente à personagem. Kidman realiza um grande trabalho, onde seriedade e sensualidade andam lado a lado, divididos por uma linha tênue muitas vezes atravessada.

Porém, o grande acerto do filme é sua diretora, que também escreveu o roteiro do filme. É um tanto redundante ressaltar o papel do diretor no funcionamento de um filme, mas neste caso é necessários destacar a importância de Halina Reijn. Ao trazer um olhar feminino para sua direção e narrativa, a artista foge do perigo que seria tratar Romy e seus anseios de forma caricata e vazia, possibilidade real caso a direção fosse de outra pessoa.

A sensibilidade de Halina acentua a beleza e sensualidade de Nicole Kidman, além de trazer para Romy um ar de simpatia para com o público, ao demonstrar o processo de auto-descobrimento e luta para aceitar quem ela é ao longo do filme, sem tornar a jornada de sua personagem algo pejorativo ou apelativo.

Com notícias da empresa cada vez mais querendo alcançar maiores públicos, parece que “Babygirl” entregou a fórmula que a A24 estava procurando. Ao combinar o poder de grandes estrelas de Hollywood com o cunho artístico e autoral característico da produtora, “Babygirl” mostra que solução dessa equação é um filme ousado, com camadas que vão além da superfície erótica da obra.

NOTA: 8,5

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