Nos Estados Unidos, há um termo muito utilizado em diversos temas: o “Dream Team”. Cunhado para se referir a seleção de basquete do país nos Jogos Olímpicos, o termo furou a bolha dos esportes e se tornou sinônimo de times ideias em diversos âmbitos. Em “Aqui”, pode-se dizer que um desses “Dream Teams” volta a ativa.

Trata-se do “time” composto pelo lendário diretor Robert Zemeckis e a dupla de protagonistas Tom Hanks e Robin Wright. Esse time dos sonhos anteriormente trabalhou no clássico “Forrest Gump” e agora voltam a colaborar com o intuito de entregar novamente uma obra emocionante.
Em “Aqui”, conhecemos a fundo a história de uma localidade, que não fica preso apenas a casa construída no local. Desde a Era Mesozoica, vemos as diferentes histórias que se desenvolveram nesse lugar específico e os momentos ondem as histórias se cruzam ao longo do tempo.

Acompanhamos principalmente a história dos personagens Richard (Tom Hanks) e Margaret (Robin Wright). Passamos desde o casal se conhecendo no colégio até a velhice de ambos, passando por toda a vida dos dois, além da família de Richard, que divide a casa com o protagonista por grande parte do filme.
Para contar sua história, Zemeckis utiliza uma narrativa não linear, indo e voltando no tempo para contar as diferentes, porém afluentes histórias que permeam a trama. Aliado à este tipo de narrativa, o diretor também escolheu uma câmera fixa, sem mudança de ângulos durante todo o filme, tirando os últimos momentos do longa.

Esta escolha evoca uma linguagem teatral, onde personagens e cenários são alterados constantemente, porém a perspectiva de como assistimos o desenrolar das ações permanece a mesma. É uma escolha arriscada, mas o próprio diretor ciente disso, brinca com este ponto criativo ao homenagear o filme ” A Vida de Um Bombeiro Americano”, filme onde justamente a mudança de planos foi introduzia ao cinema, quebrando com a estética teatral vigente da época.
Sendo uma escolha arriscada, havia o risco de acabar prejudicando o filme sua câmera estática. E prejudica. Por mais que entenda-se a escolha, a não mudança de planos torna o filme cansativo e pouco estimulante. É uma obra que falha em convidar o espectador para entender e adentrar na história contada, ao prender o olhar em um enquadramento tirano.

Concomitante ao enquadramento duvidoso, o pesado uso da tecnologia de rejuvenescimento artificial no filme é bastante prejudicial ao filme. Por mais que um grande chamariz do filme seja a colaboração entre Zemeckis, Hanks e Wright, a utilização dos atores em papéis jovens obriga a utilização da tecnologia e por mais aperfeiçoada que seja, uma hora o apreço pelo nível da ferramenta passa para um estranhamento constante dos rostos dos atores em cena.
Havia outras saídas para a utilização dos atores dentro da trama, mas parece que uma tentativa de evocação nostálgica entre os atores pesou mais do que o bom senso para a realização da obra. Quem rouba a cena do filme é Paul Bettnay. Interpretando o pai de Richard de forma firme e natural, talvez pelo fato de vermos seu rosto real, o ator chama a atenção sempre quando em cena.

“Aqui” é uma tentativa de várias coisas ao mesmo tempo. É uma obra que tenta trazer um tom autoral, com a escolha errônea de como é filmado, aliado a um chamariz nostálgico ao trazer a equipe de “Forrest Gump” para colaborar novamente. Em meio a tentar balancear tantas propostas para “Aqui”, Zemeckis infelizmente perde a mão e acaba se complicando em um filme com uma premissa boa, mas execução paupérrima.
NOTA: 5

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