Filmes biográficos sempre foram um elemento presente na indústria cinematográfica, principalmente em Hollywood. Recentemente, filmes deste tipo parece terem recebido uma revitalização, e boa parte dessa revisitação ao “gênero” deve-se ao sucesso dos filmes de Pablo Larrain.

O novo filme do diretor, “Maria Callas”, estreia dia 16 de janeiro nos cinemas nacionais com Angelina Jolie interpretando Maria. A atriz vêm recebendo grande apreço e reconhecimento na temporada de premiações por sua performance poderosa.
Em “Maria Callas”, acompanhamos a última semana de vida da maior artista de ópera de todos os tempos. Seguindo as tendências de seus filmes anteriores, “Jackie” e “Spencer”, o diretor opta por tratar dos últimos momentos ou os momentos mais dificeis de suas personagens para traçar um panorama de suas jornadas.

Após refletir bastante sobre essa visão de Larrain, cheguei à expressão: “Celebração através do sofrimento.” Pablo utiliza de momentos de extrema fragilidade de suas personagens reais para celebrar a vida e carreira dessas pessoas que parecem ser inalcançáveis na vida real, mas palpáveis em seus filmes.
Em seu novo filme, nosso primeiro contato com Maria Callas é em seu apartamento em Paris, já aposentada dos palcos, tentando reunir forças para retornar ao seu lugar de conforto. Vemos a luta que Maria trava com si mesma para tentar alcançar um objetivo que ao decorrer do filme, se torna cada vez mais distante.

A forma como Pablo Larrain lida com o mito de suas personagens é digno de um verdadeiro maestro, tornando-se sua marca registrada. Ele expande a percepção sobre suas histórias e com isso, trata suas musas inspiradoras com poder e reverência. Diferentemente de seus filmes anteriores, em “Maria Callas” parece que o diretor alterou certas coisas na sua fórmula de sucesso.
Previamente, o diretor partia das personagens para imbuir as atrizes com suas personalidades. Em “Maria Callas”, o diretor parece inverter a ordem, colocando como ponto de partida Angelina Jolie. Mesmo que por um breve instante, a obra parece celebrar e reverenciar Jolie e sua atuação, para depois ela se fundir com Maria.

Maria Callas é produto de uma sofisticada equação elaborada por Larrain, aperfeiçoada ao longo do tempo. É um filme que torna impossível quem o assiste a ficar indiferente com a obra, devido ao poder de sua história e potência que o diretor trata sua personagem. É um filme que estimula Jolie a se elevar como atriz, para assim entregar uma atuação extraordinária.
NOTA: 8,7

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