O relançamento de “Cidade dos Sonhos” nos cinemas, através da Retrato Filmes, é uma homenagem ao grande diretor David Lynch, que faleceu no início do ano. A versão em 4K chega aos cinemas brasileiros para oferecer uma experiência aprimorada do clássico do cinema moderno, para os fãs e aqueles que assistirem pela primeira vez.

“Mulholland Drive” é, para muitos, a obra-prima de Lynch, em meio a suas grandes realizações. É o filme onde se encontra de forma mais clara e melhor trabalhada toda a ideologia e abordagem que Lynch tinha para com o cinema. É uma obra traduzida diretamente da cabeça de Lynch, alcançando um ápice estilístico.

Fazer uma crítica de “Cidade Dos Sonhos” me parece um tanto quanto contraproducente. David Lynch era uma figura extravagante, e muitas vezes quando indagado sobre algum de seus filmes e perguntado por explicações sobre cenas específicas, o diretor negava esses pedidos e fugia dessa regurgitação ideológica para quem assiste seu filme.

Ao mesmo tempo que o desafio de encarar esta tarefa de analisar o filme como crítico me anima, tecer uma crítica buscando analisar os principais pontos, acertos, erros e intenções em “Cidade Dos Sonhos” soa quase como uma afronta. Em toda sua carreira de Lynch, buscava que suas obras fugissem dessa busca comum pelo sentido, ideia antagonista de um texto crítico-analítico de uma obra.

Aceitando este desafio, consigo destacar a poderosa atuação de Naomi Watts, que salta entre personalidades e emoções dentro da mesma cena de formas sutís, mas marcantes. A forma com que Lynch representa suas personagens é uma ode ao trabalho de suas atrizes, que dão vida aos personagens únicos que Lynch apresenta em “Cidade dos Sonhos”.

Com seu falecimento trágico, a onda de homenagens a David Lynch será extensa, extremamente merecida e está apenas começando. Talvez pouco celebrado em vida, as revisitações de suas obras são fundamentais para entender o tamanho de sua genialidade e contribuição para o imaginário do o que é o cinema.

Fico então com a minha singela homenagem ao grande David Lynch e termino meu texto aqui. Fujo da crítica e da análise, mesmo que falhando no meu papel, assim como Lynch fugia da explicação demasiada de sua genialidade impressa na grande tela prateada.

Uma resposta para “Ensaio David Lynch: A genialidade de “Mulholland Drive”, a homenagem e o não. #AlémDaA24”.

  1. Avatar de kishankeirstead96

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