Por Thiago Barboza

Após um hiato de 5 anos, Ari Aster retorna às telonas com o seu novo trabalho “Beau Tem Medo”, terceiro filme de sua carreira que conta novamente com sua parceria com A24. Muito aguardado pela demora de sua gravação e todas as notícias que circularam sobre a obra, o longa que estreia nesta quinta-feira dia 20 de abril é a produção mais esperada até o momento de Aster. Afirmando seu estilo e demonstrando ser versátil, a espera por “Beau Tem Medo” valeu a pena.

Logo de cara, é preciso afirmar: Beau Tem Medo é uma extravagância estilística e sem dúvida o filme mais ambicioso da ainda curta carreira do diretor e roteirista. Desde os primeiros instantes do longa, é nítido o mundo bizarro que Ari Aster quer estabelecer e justifica o maior orçamento que ele já teve para fazer um filme. Não é necessário esperar muito tempo para talvez a maior característica do diretor se apresentar ao espectador, a inquietação. No filme de 2023 o horror dá lugar ao surreal, o incrível, o fantasioso e expande a sua autoria como artista.

Na trama seguimos o protagonista Beau Wasserman, um homem de meia idade que planeja viajar para visitar sua mãe. Após uma sequência de eventos importunos, Beau precisa adiar sua viagem assim causando um mal-estar com sua mãe. Na leitura fria das palavras, “Beau Tem Medo” parece ordinário, algo comum que já vimos em vários outros filmes, só que ordinário o filme não tem nada. Ari Aster empresta suas ferramentas para compor uma história mirabolante que nos faz questionar tudo e impacta das mais diversas formas, a todo o momento.

Nenhum centímetro de tela, nenhum segundo sequer é desperdiçado no filme. Todos os seus aspectos trabalham em harmonia para criar o tom absurdo que fascina, uma vez que você o aceite por completo. Filmes como “Beau tem Medo” nem sempre precisam ser completamente entendidos, destrinchados, analisados. Ao invés de procurar sentido, o espectador precisa estar aberto às ideias propostas, sentir o que o filme passa e não racionalizar demais as imagens que são projetadas na nossa frente.

Joaquin Phoenix em Beau Tem Medo. ©A24.

Nas suas quase 3 horas de duração, o filme maneja perfeitamente o tempo para que o espectador nunca se sinta completamente confortável. Com mudanças constantes de cenários, personagens, realidades, humor, o longa nunca nos acomoda e instiga a embarcarmos nesse barco guiado pela loucura em meio a águas turbulentas. Ao passarmos por essas diversas mudanças constantes, nos sentimos perdidos como Beau, tentando superar seus medos e traumas para alcançar seu objetivo principal dentro da trama.

“Beau tem Medo” não é “apenas” mais uma entrada na filmografia de Ari Aster. O filme se mantém em seus próprios pés, podendo ser analisado com suas próprias particularidades e características. Ao analisarmos o longa dentro do contexto de suas obras passadas, entretanto, é onde “Beau tem Medo” realmente se destaca e aparece como um expoente artístico.

“Beau Tem Medo” abrange o repertório de Ari Aster como artista ao adicionar ainda mais camadas e complexidade para seu trabalho. É, sem dúvida, um daqueles exemplos onde o filme se torna peça essencial para a carreira de um diretor, sendo analisado ao extremo ao longo dos anos. O longa é um marco estilístico para Aster, uma realização que o consolida como um diretor plural e extremamente criativo, proporcionando uma experiência singular ao ser assistido pela primeira vez.

Nota: 9,0

Uma resposta para “Crítica “Beau Is Afraid”: Um Barco Em Águas Turbulentas.”.

  1. Avatar de [EXCLUSIVA] Ari Aster comenta sobre o processo criativo de “Beau tem Medo” em novo vídeo – A24 Brasil

    […] “Beau tem Medo” segue Beau (Phoenix), um homem paranóico que embarca em uma odisseia épica enquanto tenta retornar para sua cidade natal, para visitar sua mãe controladora (Patti LuPone). Nossa crítica pode ser conferida aqui. […]

    Curtir

Deixar mensagem para [EXCLUSIVA] Ari Aster comenta sobre o processo criativo de “Beau tem Medo” em novo vídeo – A24 Brasil Cancelar resposta