“Parthenope” é a segunda presença da A24 na edição deste ano do Festival do Rio. O longa-metragem de Paolo Sorrentino conta a história de Parthenope, que intitula o próprio filme, e sua jornada de vida na cidade de Nápoles, no sul da Itália.

“Parthenope” é sobre sua protagonista, sobre sua beleza, suas lutas, sobre luto, sobre vida. Sorrentino afunila todos seus anseios narrativos para Parthenope e daí expande sua história através de sua musa inspiradora interpretada por Celeste Dalla Porta.
Paolo Sorrentino evoca seus antepassados e esculpe em uma tela de cinema a sua imagem de uma musa, na acepção da palavra. As musas na mitologia grega são figuras que inspiram a criação artística, o que ajuda muito a entender o filme de 126 minutos de duração.

O diretor parte da lindeza estonteante que Parthenope pedia e que Celeste Dalla entrega à personagem. Sorrentino tem o cuidado de dar a sua protagonista um tom quase etéreo, principalmente na primeira parte do filme, separando diversos planos onde o único foco é Parthenope e os belos cenários do filme. O intuito é realmente estabelecer a beleza hipnotizente de Parthe e como as pessoas ao seu redor agem com sua presença.
Escritor e diretor do filme, Sorrentino consegue fugir da cilada de sua direção sabotar seu roteiro. A produção corria o risco de ser “apenas” uma ode a beleza e um exercício de exaltação, mas o roteiro imposto ao filme afugenta essa teoria. “Parthenope” consegue unir uma proposta contemplativa com problemáticas reais e bem elaboradas.

A personagem de Celeste Dalla Porta vive questões reais e cotidianas na trama do filme. São situações relacionáveis e que aproxima sua história ao público, antes atraído somente pela graça proposta da produção.
Ao acompanharmos sua vida desde seu nascimento na década de 60 até os dias de hoje, o filme traz questões que Parthenope tem que lidar ao longo de sua vida que reverberam não só na época em que é retratado no filme, como para a sociedade cotidiana.

Ambientado e filmeado na Itália, “Parthenope” traz consigo questões intrinsecas a sociedade italiana, como temas sociais, religiosas e ideológicos, mas que conversam com todos. Com uma protagonista formosa que foge de esteriótipos e evolui ao longo do filme para uma personagem de multifacetas, “Parthenope” exercita a reverência, busca a empatia e seduz com a realidade.

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